A mineiridade está ameaçada.
Depois de avacalhar a Inconfidência, o espírito malévolo de Silvério dos Reis quer destruir Belo Horizonte.
A idéia (destruir BH) até que é interessante, mas nossos heróis estão a postos:

“O Apocalipse de Belo Horizonte”, épico que marca a 19ª edição da HQ local “Celton”, é um convite involuntário ao deboche.

A favor do autor dessa aventura insana é necessário que se diga:
- tem a simpatia da classe trabalhadora, por arrancar seu sustento na unha, sob o Sol;
- tem a simpatia das donas-de-casa, por aparecer de vez em quando na TV;
- tem a simpatia da classe política, por ser pop e aparentemente apolítico;
- tem a simpatia da juventude, por mostrar que é possível viver de um sonho.

Sendo um pouco de cada um daqueles, declaro-me simpático a Celton/Lacarmélio.
Talvez seja dispensável — por óbvio — dizer:
- não se trata de um desenhista, mas de um copista. Desenhistas evoluem. Lacarmélio, não;

Silvério como diabo reencarnado ainda é menos absurdo que o street fighting de Pimentel e Aécio.
Como em qualquer HQ, aqui também é preciso relativizar (muito) todas as premissas.

Ao optar por executar todas as etapas do projeto, do roteiro à diagramação, dos esboços à arte-final, nosso herói não permite que nenhuma delas se desenvolva a contento. Contudo, parece viver em paz com essa opção.
Assume os erros com certo humor.
Mas Celton é sério, institucional.

Teoria da conspiração do dia:
Teria Lacarmélio ridicularizado, nas entrelinhas, nossos mandatários executivos?
Nesse caso, seria Celton uma obra subversiva?
*
Questões para a posteridade.
6 Comentários
Dezembro 10, 2007 às 1:50 pm
Celton vai passar a ser publicado no Diário Oficial do Estado…
Dezembro 10, 2007 às 5:01 pm
Concordo com o Florêncio. Virou chapa branca. Aliás, é o mal de todo sujeito que começa a se destacar: inventa de misturar política no meio, fica político de repente. Aí, já era.
Pena.
Dezembro 10, 2007 às 7:30 pm
Que legal ver o Aécio Tolentino defendendo Minas à unha! Imagine o que faria pelo Brasil!
E eu achava que Fernando Pimentel era lerdo! Mudou minha opinião acerca do PT na Prefeitura de Belo Horizonte.
Obs.: É tudo ficção, hein! Incluindo este ‘comment’
Dezembro 10, 2007 às 7:32 pm
O que é mais interessante é que o Estado tem personagens que poderiam render grandes tiradas em tirinhas. Deixemos de lado o potencial inexplorado dos dois políticos acima, contra Jeová.
Pensemos por exemplo em nosso querido porcão, Newton Cardoso. Esse aí anda até esquecido… (Exorcizado?) Queria ver se Célio dava conta de superheroizá-lo. Tipão ele até tem, com aqueles belos olhos azuis, penteado charmoso, corpulência para um bom terno… algo entre o clark kent e o incrível hulk(…ou sherek).
Milen, esqueceu de escanear (se é que há) o selo da lei rouanet, no verso da edição. Só pra ver se rolou mêdinha misturado com puxassaquismo.
Pra ter tratado Aécio e Pimentel de igual pra igual deve ter, ainda por cima, os dois selos estampados (estadual e municipal). Além do mais, Celton deve achar que ser imortalizado em seus quadrinhos – sobretudo nesse traço anacrônico que o poder divino dos respectivos governos teriam lhes concedido – é uma honra… Pra mim, tá na cara que não quis é criar ciuminho.
Mas não dá pra reclamar de Célio, ele, no fundo, representa essa vazio dilatador (como um pum contido) que é nossa querida BH.
Segundo a desciclopédia, é inclusive nosso único conterrâneo ilustre «genuinamente belorizontino…» http://desciclo.pedia.ws/wiki/Belo_Horizonte#.22Belo-horizontinos.22_ilustres
Dezembro 11, 2007 às 3:04 am
Um colega de trabalho tinha comprado a edição do Celton com o tema “Mensalão”.
O Roberto Jéfferson aparece contando ao Lula sobre as maracutaias do Dirceu, do carequinha Marcos Valério e do irmão do Genoíno de cueca – com os dólares, é claro.
O Lula fica furioso e, assim como Aecim e Pimentel, sai na porrada.
Impagável. Como saiu em 2005, deve ser fácil de achar em um sebo, ou na gaveta de alguém.
Dezembro 13, 2007 às 4:00 am
Se o Celton fosse paulista, eu acreditaria fácil no Kassab partindo pro braço…