Janeiro 27, 2008...11:09 pm

[36] Medieval III

Ir aos comentários

Um certo Edifício Beatriz, na Prudente, resolveu o problema das bundas indevidas que se assentam em suas dependências exteriores: trilhos pontiagudos.

!

!

!...

Nada contra o estilo Mad Max na arquitetura. Casa até muito bem com nosso pós (ou pré?)-apocalipse.  Ou com uma certa visão que toma a miséria como condição, homens como oponentes e guerras (nem sempre declaradas) como destino.

Por que será que desistiram dos igualmente charmosos cacos de vidro? 

Tal Beatriz assemelha-se (filosoficamente) a outras dezenas de prédios – luxuosos e nem tanto – pela cidade, pelo país. Como este, na Praça Tiradentes:

!

Sob o pretexto da segurança, surge uma arquitetura contra alguns sem-teto e, na dúvida, todos os transeuntes.

Poderíamos chamá-la de… Pós-Niemeyer?

* * *

Em Brasília, 13 horas

Um amigo me liga quase sem motivo (quase por acidente, na verdade) e diz o que está cozinhando. Me pergunta se conheço tal banda que ele ouviu dia desses. Me pergunta o que tou fazendo com a vida, e quando é que nos veremos novamente. Manda abraços e reinventa a sintaxe: seu “um abraço” é sincero; não se trata de mecânica frase vazia.

*

Enquanto isso, nas trevas medievais…

Um telefonema depois de anos e nenhum “como é que você vai?”

* * *

Falando em amigos…

Estamos a poucas horas do DD, o Dia de Digão, um quase sabático 28 de Janeiro em nosso calendário pagão/consumista.

Por tal motivo mandei a ele, há um ano, a seguinte missiva eletrônica:

De: H. Milen
Para: R. Almeida
Assunto: over and Rovvvrrrr

(…)

PARA o BENSS que eu quero descer.

esse pessoal que nasce em 1980 já tá quase me alcançando.

porra

Daqui a pouco nossa diferença de idade vai ser tão desprezível que nossos biógrafos vão dizer que fomos da “mesma geração”.

- audácia! -

isso está muito longe da verdade, pois eu vi ET no Cine Royal e Batman no Jacques, e vc só viu cinema em salinhas, essas salinhas de viado.

Eu tive os Comandos em Ação da primeira coleção, realistas e críveis, e vc já pegou os bonequinhos “over-armed”, frutos de alucinação belicista. 

Eu lia turma da Mônica quando era da Editora Abril, e vc lia — se é que lia — as da Grobo.

Eu joguei 1942, Simpsons e Tartarugas Ninja nos Futurama do Centrão, antes da aula, às 6h50 da manhã, e vc só conheceu Hot Zone, queles antros de almofadinhas que sequer sabiam dar um “haddouken”, muito menos enfiar clipes na máquina para ganhar mais créditos. Aquele cartãozinho magnético burguês matou o espírito fliperamístico.

Minha geração (minha REAL geração) me obrigou a ter um Redley roxo na rabeira da new-wave, ao passo que a sua já começou a vida num Nike Velocity.

Ou seja: exceto por um ou outro prato de comida, nossas nostalgias haverão de ser totalmente diferentes.

caraia

abraço,

* * *

Variações da pergunta “O que o Sena tem que o Arrudas não tem?” incrementarão minha mensagem deste ano.

* * *

Expectativa na Ventosa

Lotto e FIAT são duas marcas que tornam possível, enfim, uma camisa moderna e decente para o Galo. O problema continua sendo… o Galo. Ou melhor, seus dirigentes, caipiras orgulhosos e barangos, incapazes de aprovar algo realmente ousado, inovador.  

Periga a Lotto oferecer um conjunto com linhas e cortes modernos, e ouvir de um bardo bigodudo: 

“Que coisa de viado! Tá achando que aqui é o Cruzeiro?”   

Pois veja o que se oferecia até semana passada à torcida atleticana, por módicos R$ 159,90:

Armani, onde estás?

Uma das camisas mais horrendas da história da Série A.

Parece que o “conceito” era assustar os adversários…

* * *

Abafou meu jazzin da Folha

“Santo Bloco” saiu da Rua Paulo Afonso, desceu provavelmente a Marabá e se arrastou pela Teixeira de Freitas, como faz há alguns anos.

A diferença é que neste ano pude vê-lo da varanda.

Pensei que o pau ia quebrar e a cuíca ia gemer, mas as ruas voltaram à calmaria uns 14 minutos depois da passagem do trielétrico.

* * * 

“Será que eu sou medieval?
Baby, eu me acho um cara tão atual
Na moda da nova Idade Média
Na mídia da novidade média”

Cazuza, “Medieval II”

9 Comentários


Deixe uma resposta