
Fracassa nossa tentativa de baixar o nível da intermitência em troca de polêmica e audiência.
As tetas mulatas foram o fundo do poço artesanal de nosso artesanato internetal.
Voltemos pois ao pseudo-lirismo incestuoso e inconseqüente (objetividade é só um escatológico fetiche fordista).

“2″
Quarta-de-Cinzas, além de teoricamente desenervar os enervados, se presta a uma calma procura de toca-discos de vinil nos topa-tudo do Centrão (a antiga vitrolinha apalermou-se).
Na Rua Padre Belchior, mundialmente conhecida pela aura de lingüiça e pequi, o Cine Las Vegas exibe “Submissão Total 2″, como se houvesse pornografia que não recorresse a submissão total – o tesão de alguns vem daí, dizem.
Vitrolinha que é bom, necas. A luta continua.

Nossos filmes do Carnaval

Quem entende de cinema (não é meu caso) tende a alisar e lamber tudo que os Irmãos Coen fazem por aí – de “Arizona, Nunca Mais” até os dias vigentes. De minha parte admirava (sem alarde) as crônicas non-sense da América, mesmo sem saber se tinham algum vínculo com o mundo real (e daí que não tivessem?). Desgosto quando abrem mão do humor e se metem a “esquematizar” seus seres fictícios e falastrões, como em “Fargo” e neste Onde Os Fracos Não Têm Vez. Mas cinema não é feito para me agradar, e sim para cumprir metas – artísticas ou comerciais. Numa obra que se anuncia consagradora, fico sem saber que fazem clichês gaiatos aqui e ali. Mas não está aqui quem vai contestar os Coen. Eles têm amigos demais. E eu, nadinha a ganhar.

Por acaso revi no DVD um filme que transborda o que ressinto no filme dos Coen: a complexidade das pessoas e dos sentimentos, a relevância de seus argumentos, a graça dos diálogos… Além de (aposto!) uma certa coincidência com nossas urgências pessoais (não, não virei gay, porra). Sim, há um abismo de propostas e intenções entre o ambicioso filme dos Coen e o despretensioso Todas as Cores do Amor (“Goldfish Memory”, absurdo). Memória de peixinho dourado que é ao mesmo tempo metáfora (de nosso esquecimento) e cantada (esqueça!). O mundo é bão, Sebastião. Não acredite nos favelados Chigurhs com penteados chanéis.

Curtimos Bill aos 30, quando ele era bobo (e carismático), depois curtimos Bill aos 40, quando ele era cínico (e carismático), e agora curtimos Bill aos 50, quando ele se mostra melancólico (e carismático). Flores Partidas, no DVD, deixa algo a desejar, mas há quem delire com Bill traçando Sharon Stone e deixando sua filha Lolita para trás. De fato, um delírio.


“Só não ganha se garfarem”. Que bela manchete do JB. Admirável quando os jornais saem da mesmice e se posicionam.
No caso, se posicionando como jornaleco.
O Globo e JB deviam propor a abolição do júri carnavalesco e se assumirem como definidores das medalhas.
O Globo até já faz isso, mediante seu “Estandarte de Ouro”, ao qual dá tanto destaque quanto ao resultado oficial.
O JB vai além: pré-decide o resultado e desqualifica as contrariedades vindouras. No caso, seis: pois a Viradouro, que “só não ganha se garfarem”, terminou a apuração em sétimo lugar.
Vexaminhos que a memória de peixinho dourado tratará de esquecer.

“Você não tem perguntas para fazer
Porque só tem verdades para dizer.”
Raul Seixas, Loteria de Babilônia

3 Comentários
Fevereiro 8, 2008 às 12:33 am
“Fracassa nossa tentativa de baixar o nível da intermitência em troca de polêmica e audiência”.
Sim, chega de sensacionalismo barato! Agora só o caro, com PLATINUM!
Carnaval do Rio sem garfada é igual Finados sem chuva: não existe!
Fevereiro 8, 2008 às 11:32 am
Pelo menos vc assume que não entende de cinema. Onde os fracos não tem vez é ótimo!
Fevereiro 12, 2008 às 12:21 am
Delirei com Bill também. O engraçado é que Flores Partidas é um daqueles filmes que você leva ao fim da sessão e que a ficha só vai cai algum tempo depois. No meu caso, deve ter levado um ano ou dois, mas enfim caiu…
Onde os fracos não tem vez é ótimo![2]
Fechado para comentários.