Fevereiro 7, 2008...2:20 am

[39] Da cor à cor inexistente

 Quarta-feira de Cinzas

Fracassa nossa tentativa de baixar o nível da intermitência em troca de polêmica e audiência.

As tetas mulatas foram o fundo do poço artesanal de nosso artesanato internetal.

Voltemos pois ao pseudo-lirismo incestuoso e inconseqüente (objetividade é só um escatológico fetiche fordista).

Amarelo manga

“2″ 

Quarta-de-Cinzas, além de teoricamente desenervar os enervados, se presta a uma calma procura de toca-discos de vinil nos topa-tudo do Centrão (a antiga vitrolinha apalermou-se).

Na Rua Padre Belchior, mundialmente conhecida pela aura de lingüiça e pequi, o Cine Las Vegas exibe “Submissão Total 2″, como se houvesse pornografia que não recorresse a submissão total – o tesão de alguns vem daí, dizem.

Vitrolinha que é bom, necas. A luta continua.

Orange Crush

Nossos filmes do Carnaval 

Chigurh!

Quem entende de cinema (não é meu caso) tende a alisar e lamber tudo que os Irmãos Coen fazem por aí – de “Arizona, Nunca Mais” até os dias vigentes. De minha parte admirava (sem alarde) as crônicas non-sense da América, mesmo sem saber se tinham algum vínculo com o mundo real (e daí que não tivessem?). Desgosto quando abrem mão do humor e se metem a “esquematizar” seus seres fictícios e falastrões, como em “Fargo” e neste Onde Os Fracos Não Têm Vez. Mas cinema não é feito para me agradar, e sim para cumprir metas – artísticas ou comerciais. Numa obra que se anuncia consagradora, fico sem saber que fazem clichês gaiatos aqui e ali. Mas não está aqui quem vai contestar os Coen. Eles têm amigos demais. E eu, nadinha a ganhar.

Irish cream!

Por acaso revi no DVD um filme que transborda o que ressinto no filme dos Coen: a complexidade das pessoas e dos sentimentos, a relevância de seus argumentos, a graça dos diálogos… Além de (aposto!) uma certa coincidência com nossas urgências pessoais (não, não virei gay, porra). Sim, há um abismo de propostas e intenções entre o ambicioso filme dos Coen e o despretensioso Todas as Cores do Amor (“Goldfish Memory”, absurdo). Memória de peixinho dourado que é ao mesmo tempo metáfora (de nosso esquecimento) e cantada (esqueça!). O mundo é bão, Sebastião. Não acredite nos favelados Chigurhs com penteados chanéis.

Still Bill

Curtimos Bill aos 30, quando ele era bobo (e carismático), depois curtimos Bill aos 40, quando ele era cínico (e carismático), e agora curtimos Bill aos 50, quando ele se mostra melancólico (e carismático). Flores Partidas, no DVD, deixa algo a desejar, mas há quem delire com Bill traçando Sharon Stone e deixando sua filha Lolita para trás. De fato, um delírio.    

Tapete vermelho

Juiz e executor da humanidade

“Só não ganha se garfarem”. Que bela manchete do JB. Admirável quando os jornais saem da mesmice e se posicionam.

No caso, se posicionando como jornaleco.

O Globo e JB deviam propor a abolição do júri carnavalesco e se assumirem como definidores das medalhas.

O Globo até já faz isso, mediante seu “Estandarte de Ouro”, ao qual dá tanto destaque quanto ao resultado oficial.

O JB vai além: pré-decide o resultado e desqualifica as contrariedades vindouras. No caso, seis: pois a Viradouro, que “só não ganha se garfarem”, terminou a apuração em sétimo lugar.

Vexaminhos que a memória de peixinho dourado tratará de esquecer.

Brown Bunny

“Você não tem perguntas para fazer
Porque só tem verdades para dizer.”

Raul Seixas, Loteria de Babilônia

Tarja preta

   

3 Comentários

  • “Fracassa nossa tentativa de baixar o nível da intermitência em troca de polêmica e audiência”.

    Sim, chega de sensacionalismo barato! Agora só o caro, com PLATINUM!

    Carnaval do Rio sem garfada é igual Finados sem chuva: não existe!

  • Pelo menos vc assume que não entende de cinema. Onde os fracos não tem vez é ótimo!

  • Delirei com Bill também. O engraçado é que Flores Partidas é um daqueles filmes que você leva ao fim da sessão e que a ficha só vai cai algum tempo depois. No meu caso, deve ter levado um ano ou dois, mas enfim caiu…

    Onde os fracos não tem vez é ótimo![2]


Fechado para comentários.