
A imagem acima não se trata de um delírio lunar. É antes um alívio, um indício de civilidade. Explico.
Hoje pela manhã, talvez depois de ver algum desastre por aí, pensava: “As pessoas desistiram da diagramação? Entregaram o mundo de bandeja aos bárbaros?”
Mas eis que do fundo do poço estético e existencial vi um vago lume.

A distribuidora Lume Filmes é dessas coisas que escapam das lógicas e armadilhas conhecidas.
Não bastasse disponibilizar às hordas brasileiras (sedentas de Ozu e Kawalerowicz) filmes bacanas e quase esquecidos, os camaradas têm um apuro visual com as capas que, por si só, já me convenceu a ver todos eles (uma outra lista? – mas que diabo).

Os filmes são meio caros, na casa dos quarentinha, mas já vi alguns por aí, nas locadoras. Moleza, moleza.
O hit da Lume, até o momento, é este aqui:

…sobre uma freira possuída pelo demo num convento carmelita. Vendeu honrosas 800 cópias, segundo o blog deles.
O mais divertido da Lume é que ela não é de São Paulo, nem do Rio, nem do Sul. Esse refinado catálogo luminescente vem do improbabilíssimo Maranhão.
Dizem que DVD já é formato ultrapassado, que investir nisso é furada, etc etc, mas mesmo assim desejo fortuna a essa simpática e ousada distribuidora.
* * *
O tio Oscar
A palhaçada esse ano veio cedo. E tá meio chulé. 80 anos, e tal, esperava-se um pouco mais. Só pra variar, vou acertar uma penca – para destempero de Vanessa, Luana e Léo (fregueses de bolão). E para meu desgosto também, pois eu preferiria não entender porra nenhuma de Oscar – assunto baitôlo e janota, além de totalmente inútil.
Bem! Palpitações para esta noite (por ordem de viadagem):
Melhor ator: Daniel Day Lewis. Melhor ator coadjuvante: Javier Bardem.Melhor filme: Onde os Fracos Não Têm Vez.
Melhor direção de arte: Sweeney Todd.
Melhor fotografia: Desejo e Reparação.
Melhor figurino: Desejo e Reparação.
Melhor documentário: Taxi to the Dark Side.
Melhor documentário de curta-metragem: Sari’s Mother.
Melhor edição: Onde os Fracos Não Têm Vez.
Melhor filme estrangeiro: Katyn (Andrzej Wajda – Polônia).
Melhor maquiagem: Piaf – Um Hino ao Amor.
Melhor trilha sonora original: Só tem lixo. Ganha “Desejo e Reparação” (Dario Marianeli).
Melhor canção original: ”Falling Slowly” (Glen Hansard e Marketa Irglova – “Once”). Com protetor de ouvidos, tudo bem.
Melhor curta-metragem: At Night.
Melhor animação de curta-metragem: Peter & The Wolf.
Melhor edição de som: Transformers.
Melhor mixagem de som: Transformers.
Melhor efeito especial: Transformers.
Melhor filme de animação: Ratatouille.
Melhor roteiro adaptado: Onde os Fracos Não Têm Vez.
Melhor roteiro original: Juno.
Melhor atriz: Laura Linney.
Melhor atriz coadjuvante: Ruby Dee.
* * *

Curta de Animação é a única categoria do Oscar em que todos os concorrentes são indiscutivelmente excelentes. Além do (cuti-cuti) Madame Tutli-Putli, os outros curtas na jogada estão dando sopa no YouTube:
Moya Lyubov (My Love), russo.
I Met the Walrus (só o trailer), norte-americano.
Même les Pigeons vont au Paradis (Even Pigeons Go To Heaven), francês.
Peter & the Wolf, anglo-franco-alemão.
* * *
Esta semana, convidados.
6 Comentários
Fevereiro 24, 2008 às 4:11 pm
Não entendo nada, mas não parece um contra-senso fazer um trailer de curta-metragem?
Se for pra exibir um trailer antes de outro filme, então podiam exibir logo o curta todo (o que, 10 minutos?) antes do filme.
Aliás, aqui na Pindorama, teve uma época em que era obrigatória a exibição de um curta nacional antes de um longa-metragem estrangeiro, para “fomentar” a produção nacional. Claro que os donos de salas de exibição arrumaram um jeito de sacanear a coisa, exibindo qualquer palhaçada como “curta-metragem”. Um que ficou famoso foi “A Lagoa Rodrigo de Freitas”: uma panorâmica de 10 minutos da tal lagoa carioca…
N.E.: We dont met the Walrus.
Fevereiro 24, 2008 às 9:42 pm
Lume Filmes é quase uma irmã pobre da Lumière… Não acha?
Mas em dia de Oscar, quem tem um olho… Continua sendo caolho! E a Academia continua sendo bairrista e puxa-saco!
Ainda bem que filme e curta de animação são as únicas obras em que cada frame é arte, não tem como ser simplesmente “mal feito”…
Fevereiro 25, 2008 às 2:28 am
E a baranguíssima Rede Globo vai entrar com a transmissão no meio da cerimônia. Prioridade para o Big Brother. Lamentável…
Até agora você está ganhado o bolão:
Melhor ator coadjuvante: Javier Bardem.
Animação: Ratatoulie
Melhor direção de arte: Sweeney Todd.
Melhor maquiagem: Piaf – Um Hino ao Amor.
Errou o figurino: ganhou o filme da Elizabeth (outro filme de rainha?).
N.E.: Se não fosse esse Ultimato Bourne comprando votos, tinha quebrado a banca.
Fevereiro 25, 2008 às 9:51 pm
Lindos os cartazes de “Underground” e “Filhos de Hiroshima”… Aliás, é uma mania engraçada (juntamente com a de rebatizar os filmes com nomes esdrúxulos) a de desprezar os melhores cartazes, típica de gente (países?) desapegada à beleza da diversidade.
Tipo isso (este):
http://www.fotolog.com/guinando
Você é bom apostador, pra quem se defende dos elogios dizendo que não entende de cinema… sei….
N.E.: Os cartazes não me parecem os originais, e sim recriações da Lume. O risco de tragédia era grande, mas o índice de acerto até o momento é 100%.
Fevereiro 25, 2008 às 11:31 pm
mas que bom gosto vc tem! (ou que gosto parecido com o meu vc tem).
além de postar o pôster de “caçadores de emoção”, que, por ser mais bonito que keanu reeves e anthony kieds juntos, já decorou capa de caderno meu, agora mostra essas preciosidades da lume, que, rodando fora do eixo, daqui a pouco deve trazer até filmes do tsai ming-liang.
fica a dica: pechincha que vc consegue comprar uma penca de dvds mais barato.
N.E.: Grato pela gentileza e pela dica (JP foi dormir com inveja).
Março 19, 2008 às 8:53 pm
fico feliz de saber que tem gente gostando do que temos feito nas capas dos filmes quem saem pela LUME.
queria informar que nesse link ( http://www.flickr.com/photos/renancostalima/2278401790/sizes/o/ ) vc pode pegar a capa correta do eraserhead.
N.E.: Participem da campanha “Lume, lança o Radio Days!”.