Março 17, 2008...12:44 pm

BH NYC (por duas horas e quinze minutos)

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Conclusões e ruminâncias sobre uma noite que pôs algumas coisas em seus (in)devidos lugares. Interpol em BH, Interpol no Brasil

 The New

1. Não é verdade que os mineiros sejam pão-duros e caipiras. Foi por acaso que brazilienses, goianos e até mesmo paraenses salvaram a cidade do vexame de uma casa vazia. E também não é verdade que todos os ausentes prefiram na verdade Zeca Pagodinho e Exaltasamba. Só a maior parte deles – e quem gosta de maioria é político.

Pioneer to the Falls

2. O show de Martnalia, no mesmo local, na sexta, talvez tenha enchido mais. Dizem que o pessoal gosta mais de cortesia do que de música – o que seria pouco cortês. No sábado, a juventude achou 100 reais muito caro. Aguardaremos ansiosos a meia-idade da juventude, quando ela pagará 150 num show de Chico.

Obstacle 1

3. Alguns paulistas e cariocas puderam ver o show pela segunda vez, engrossando o côro dos visitantes (os povos-móveis é que dão graça ao mundo, qual a novidade?).

Evil

4. O vocalista Paul Banks é melhor que a vocalista Cláudia Leitte (que congestionou Copacabana), embora atraia menos gente. Mas a Avenida Nossa Senhora de Copacabana é possivelmente mais atraente que a Avenida Nossa Senhora do Carmo, daí a supremacia de Cláudia. Não somos tão indigentes assim — é tudo uma questão de oportunidade apenas.

Rest my chemistry

5. Pode também ser verdade que a música sirva para reunir almas afins. Uma juventude entediada e blasé, sim é verdade, mas também civilizada, aberta, em tudo melhor que as velhas juventudes que a antecederam. Ela não se encontra em procissões (escolha a sua) ou enterros (escolha o seu).

Turn on the bright lights

6. Troquei um aperto de mão com BNegão, aliás o único negão que vi na área. Eu sinto falta de preto cult na minha vida. Assim que descerem o morro e subirem de classe via PAC de Dilma, eles virão aos Interpóis, como já fazem em Sampa, em Londres, em NYC. Brindaremos — em paz etílica e meio aviadada – o triunfo da sociedade de consumo sobre o conservadorismo sambado. Salve o PAC de Dilma.

PDA

7. O baixista Carlos D é melhor que Humberto Gessinger, embora atraia menos gente. O guitarrista Daniel Kessler é melhor que Tony Belloto, embora atraia menos gente.

Public Pervert

8. O pós-punk é ensaiado demais para ser chamado de punk. O pós-punk é engomado demais para ser chamado de rock. Mas é competente o suficiente para se impor com o rótulo que lhe aprouver.

Narc

9. (censurado)

10. O Chevrolet Hall foi o Madison Square Garden entre 23h11 e 01h27. O acender das luzes brancas apagam o brilho de uma viagem musical e nos devolve à chuva, à rua vazia, ao táxi, à semana. Por duas horas e quinze minutos, estivemos no ponto luminoso da Terra. 

Take you on a cruise

11. Pouco antes, subindo as escadas do Marista, lembrara de um antigo lema da CNBB nos anos 90: “Estive preso e vieste me visitar”. Não se compara minha situação atual à de um cárcere, mas pode ser que visitantes desaforados sirvam como pastores.

12. Quando somos informados que Mary se alistou e foi convocada em Sampa. Mineiro é igual minério, só é bom se for exportado? É preciso ser poeta de fogão de lenha e ninhada (como Adélia Prado) para não emigrar? A terceira margem é sempre a mais complexa, segundo nos informa (telepaticamente) G. Rosa.

Not even jail

13. Em meus discos interpolares (sim, eu compro discos em 2008), canções como “Leif Erikson” e “Hands Away” figuram entre minhas melhores lembranças. Não tocaram no show. Gostei de saber que são minhas.

14. “Existem canções”, escreveu Renato Russo para quem soubesse ler. Estamos todos aprendendo (a ler).

I left my urge in the icebox

16 Comentários

  • E o convidado especial “Pato Fu”?

    N.E.:Pato Fu é de casa, não é convidado.

  • Aff… Puxa saco do Interpol! Em pleno século XXI ainda existe banda estilo punk…

    O mundo está perdido! “senhor perdoai, ele não sabe o que faz…” (s em caixa baixa mesmo!)

    Cadê o Exaltasamba? Chitãozinho e Xororó?

    Obs.: O final é só para criar tumulto!

    N.E.: JP ganhou cortesia para Vander Lee.

  • Milen, não faça isso.

    A juventude espera mais de você, além de um ensaio fotográfico onde você clama aos ares que a música que você escuta é melhor que “Babado Novo” e por isso você (nós) é foda.

    E pare de falar mal de BH, afinal, diz o novo hino da cidade: “Pois não hááááá-á-á lugar melhor que bê-agááááá!!!”.

    N.E.: Foda é quem toca certas músicas, não quem escuta.

  • Depois dos neo-hyppies agora existe isto: os pós-punks? ou é você quem está inventando isso, Sr. milen?… isso existe mesmo?

    Era só o que faltava. Punk é punk, pôr. Punk, segundo palavra cantada do ministro, é pus que resta aos urubus.

    Pós-punk é o cara que vai no coiffeur pra sair com o cabelo maluco (xapinha) e unha preta (esmalte linha “punkglossy” da protect & gamble)? (ver post do puc sobre o novo programa da mtv, pra saber como encontrar o seu style: http://blog.danielflorencio.com/2008/02/28/marimoon-na-mtv/)

    Fico com o pé atrás nestes relançamentos de velhas modas. Too trendy pro meu gosto. Nada contra a musica já escutei, é muito boa. Parece um pouco o “live” uma banda americana que sempre que vem ao brasil, também passa também por bh, e sempre tem uns nego que morrem. (pra não dizer que não tem nego na história, alias, na sua primeira foto achei uns 4)

    Falando em tendênças…

    aí no brasil está rolando o tal do tektonik? é uma espécie de “capoeira do dance/eletronic music”.

    Saque só:
    http://fr.youtube.com/watch?v=UbzYXWLVU3o

    A coisa tá tão nova, que parece que ninguém ainda ousou descrever o que é isso no wikipédia. E se você está se perguntando a origem do termo… acertou: o adolescente criativo responsável pela nomenclatura da coisa resolveu fazer uma homenagem ao “movimento das placas tectônicas do planeta”. Têreçântch, não?

    Opa, achei no wikipédia (culpa na verdade do google, que tá por fora ainda):
    http://fr.wikipedia.org/wiki/Tektonik
    (têm versões em espanhol e inglês)

    No brasil, se tektonik não pegar, vão rebatizar pegando carona numa onda antiga, algo do tipo: “breakdance 2.0″ (até que teria a ver, já que o movimento se espalha pelas redes sociais do myspace e youtube)

    enfins…
    Orêmos para que não tenhamos que sobreviver ao à reedição do funk carioca.


    N.E.: A loucura de Tiagín alcança status napoleônico.

  • isso doll, mostre um pouco de ódio.

    N.E.: Hay que amolecerse pero sin perder los rancores jamás!

  • É isso aí, Milen. Não sei se fico feliz por eles finalmente terem vindo a BH ou triste por eles nunca mais voltarem justamente por causa disso. O fato é que estávamos lá, isso é o que importa. Vimos, ouvimos e vencemos. Mesmo sendo meia dúzia.

    Abç
    Leo

    N.E.: Apesar do meu tom resmunguento, acho que fomos bons anfitriões. O dólar caindo, eles voltam sim.

  • começou antes d’eu chegar

    acabou antes d’eu tomar a segunda tequila

    a vida não é perfeita

    N.E.: A saideira na Baiana custou “Pioneer to the Falls” a Rascheu.

  • Estava tão vazio assim? Até o Tony Belloto entrou na comparação…

    Que fique claro, falo do Belloto vivo. Não o que morreu com o Titãs, em 99…

    N.E.: 99 ou 89? Bom, pista 74% cheia, com ajuda decisiva de turistas incidentais. Reclamamos de barriga cheia; releve.

  • Como representante do Pará e de Brasília no show, digo com a boca cheia – VALEU MUITO A PENA! Até a chuva que caiu sem parar… nada conseguiu estragar a magia da noite.

  • E o encontro com Carlos D. em Confins, sentindo o gostinho do caos aéreo brasileiro??? Foi um fim de semana para não esquecer!
    Que venham os proximos!!!

    Beijos!

  • Os 90 não fizeram bem ao Titãs, mas também não foram a pá de cal que se viu depois do acústico.

    Reclamar deveria ser esporte olímpico. Já tem mineiro argumentando porque o trânsito de Beagá é pior que o de São Paulo…

  • sai de manaus pra ir no show.
    e posso dizer que valeu muito a pena.
    to juntando dinheiro pro proximo ;)

  • Eu por minha vez curti o som neo-country (ou pós-caipira, como queira) de Denílson e Daniel em Munchen, Zebu City. Alguns reclamam com muito (BH é megalópole). Abraço, João.

    ps: Estréia de comentários depois da bunda-larga. Outros virão, sem dúvida. Gostei também do texto sobre Cuba.

  • Carol Assunção C4

    Sim, o show foi muito bom… e ponto.

    Rasga cueca para o Interpol, rasga. Você continua a mesma. Ai, Santa. Pelo menos deixa o vocalista pras amigas.

    Bora tomar uma para vc esquecer esses pós-punks, animalzinho. A vida é assim mesmo.

    Mas a fila ainda e vc se recupera de mais essa dor de corno.

  • Carol Assunção C4

    A fila anda.

    N.E.: Chavão ou xaveco?

  • o Pato Fu tocou de luz acesa.

    e a franja sexy do Carlos roubou a cena. Finalmente um baixista que não é autista e mada até beijo pra platéia.


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