Abril 1, 2008...12:29 am

O post auto-censurado nº 47

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O post auto-censurado nº 47 começou a ser urdido na já distante Quinta Santa, por volta das 10 da manhã, quando ao zanzar pelas imediações do Baixo Centrão belorizontino este auto-censor se deparou com:  

O Ateneu

…percebendo que (enfim!) o governo de Minas tacou uma demão de tinta no velho Olegário — escola onde me despedi dos anos 80 e vi os 90 chegando ao som dos gemidos de Guns e Engenheiros. (nessa época, Tiagín pulava elasticuzim com as minina no Bueno Brandão – entra burro e sai ladrão - total e obviamente a salvo de marginais no confortín da Rua Paraíba. Doutros, já nascidos e cercados de cuidados em colegín de padre, melhor nada dizer).

O lance é que minha humilde ex-escola só vê Suvinil de 15 em 15 anos, o que já faz desse 2008 um ano notável deveras. 

Até uns meses atrás, o esculacho visual com o Olegário foi uma “pauta” para este blog. Adiada até que perecesse. Mas bem! Uma pauta e um desgosto a menos.

Teje pintado, longa vida à roupa nova, que sabe-se não terá, mas em 2023 tem mais uma ou duas demão etc etc Zzzzzz (por que falo disso?).

*

Desse dia (Quinta Santa) pra cá descartei palavras e pensamentos como quem corre de uma mambaia podre numa rodada de pôquer, ou como quem vê um amontoado de cartas no lixo do buraco e não se interessa nem pelos curingas (eu jogo curingas no lixo para confundir adversários; a tática é boa, de fato ficam confusos os otários, mas sempre perco não sei por quê). Provocar e correr, taí viver (um haikai piorado é melhor do que nenhum).

Mas enfim, que auto-censura? Ora, “que”. Como se falar do lugar onde estudamos não despertasse fúrias e traumas adormecidos, não cortejasse o melodrama, o velho moralismo bege tendendo ao marrom. Os aiaiais. Os uiuiuis. Sempre tão comuns. 

Difícil limar cartas barangas de uma canastra — ainda que post-escrita. Meu suado memorialismo nota 6,2 correndo risco de descambar para um moralismo nota 4,6 (a média da década, ok)…

*

Por fim, pseudo-saudações à velha vizinhança do Baixo Centrão: comércio de parafusos e frituras ao dia, comércio de pedras e buracos à noite. Nada mudou em vinte anos.

* * *

O quê: a Escola Estadual Olegário Maciel
Onde: na avenida de mesmo nome, esquina com Carijós, no Baixo Centrão
Quando: de fevereiro de 1988 a dezembro de 1991
Como: transferência automática do Grupo Cesário Alvim, localizado ao lado.
Por quê: inferno econômico do Governo Sarney empurrou a classe C1 para o purgatório educacional do Governo Newton Cardoso.
 

* * * 

(O conteúdo programático que melhor aprendi no velho Olegário foi “auto-engano e enganação do sistema”. Hoje vejo com muita clareza que, cada vez que enganei um professor, era ele quem me enganava. E vejo que nas bem-quistas escolas particulares e na universidade não foi muito diferente…Ahh…quão eficiente sistema de não-ensinar!) 

* * *

Auto-censura - parte 2 

Daí que O Globo estampou manchete escandalosa na Páscoa ensolarada/dengosa:

“PESQUISA DERRUBA MITOS SOBRE A VIDA NAS FAVELAS
Maioria dos moradores é contra liberação de drogas e metade apóia caveirão”

Uiuiui.

O velho truque da pesquisinha, a respaldar velhas linhas editoriais.

É gozado pois, por exemplo, favelados de Amsterdã pensam diferente. 

Um favelado holandês encontrou um pântano e construiu uma cidade em cima dele.

Um favelado brasileiro encontrou uma cidade e construiu um pântano em cima dela.

(tá lá o Complexo da Maré no Rio, a demostrar tese/antítese)

*

Para não dizer que O Globo só me buliu, admito que fresquei ao ler isso aí na Revista:

“Como tem gente fanática neste mundo…Olha onde penduraram a bandeira do Fluminense!”
(taxista apontando a bandeira da Itália no alto do consulado para um passageiro)

* * *

Um dia de trégua

Em respeito aos 100 anos do Galo, no dia 25 circulei com uma alvinegra modelo 1920.

Foi um dia quente, de mangas compridas.

Festejei o orgulho de não ser nada — e nas ruas me encontrei aos montes.

7 Comentários

  • Pois minha ex-escola está mais conservada, Escola Estadual Pandiá Calógeras. Dentro havia também o Grupo Escolar Berenice Martins Prates (do 1º período ao Pré-Escolar).

    E depois foi a vez do Colégio Marconi (fascista no projeto). Foram ao todo 15 anos de estudos públicos. Com greves e mais greves, planos econômicos, congelamentos etc.

    Milagre o HMilen usar o manto sagrado no centenário alvinegro…

    N.E.: Pandiá Calógeras. Nada a declarar.

  • Inflação de 1.000%, combinado com o pior governador da História de Minas (eu sei, o páreo é duro…), dá nisso: uma formação intelectual e moral totalmente deficiente.

    Também aconteci de estudar em E.E. durante o governo Porcão. Foram 2 greves em 3 anos, recorde só igualado em meus anos de UFMG. A primeira greve ainda teve o inconveniente de acabar em Julho, quando estava viajando nas férias de meus pais – palhaçada repetida anos depois em uma greve na UFMG, que acabou logo na fase final da Copa do Mundo.

    No meu caso, meninim de interior (Arcos), escola pública era antes falta de opção do que drama financeiro, e devo dizer que fui feliz na E.E. Dª Maricota Pinto, exceto pela merenda super-faturada e o banheiro porco.

    Mas lá havia também uma espécie de “apartheid” escolar: assim como os outros meninos bem-alimentados da vizinhança, sempre fui da turma “A”, enquanto na turma “B” eram entulhados os remelentos do Cipopau e do Brejo (favelas dos’Arcos), repetentes crônicos, como numa FEBEM. Nas turmas “B” haviam uns moleques com recordes inacreditáveis de “bombas” (repetências): dizia-se que um brutamontes lá tinha tomado bomba 10 vezes, e por isso estava na 3ª série, apesar de ter uns 17 anos de idade.

    Acho que a idéia era evitar que os alunos “B” atravancassem o progresso intelectual dos “A”. Espero que tenha dado certo para o lado deles também.

    N.E.: Cipopau ou Cipoal? Tou achando meio demais.

  • a escola que eu estudei na tenra infância ficou em itatiaiuçu, assim como minha lembrança dela, que (com muita conveniência) esqueci.

    mas desde então sigo (com muita coragem) torcendo pelo América. e saindo (com muito orgulho estético) com a camisa do meu time pelas ruas.

    N.E.: Não esqueça as canções que te fizeram sorrir (Smiths).

  • Encharcou de photoshop na imagem ou o azul é original? Me esqueci de como é um céu direto…
    E cadê as guidelines do belo horizonte? fez carimbim nos cabos da rede elétrica e nos arranha-céus?

    gostei da retomada (intermitente) da sua recontagem dos posts…

    Senão pior de tudo foi que saí um mau ladrão, do bueno brandão. Devia ter ficado lá na burrice, pulando elásticos co’as minina.

    N.E.: Overlay. E a rede elétrica do Centro-Sul é subterrânea desde…há muito tempo.

  • e nem adianta mudar de nome.
    incrível.

    N.E.: Leitora do mês?

  • HMilen está lentamente deixando a fama subir-lhe à cabeça. Não responde mais os comentários…

    Se fosse pra falar sozinho, ressuscitava meu blog.

    N.E.: Mais um comentário desmoralizado.

  • olegário maciel e os mendigos com a bunda de fora… sempre tinha um. eu fui emergente: do cesário alvim para o bueno brandão. choque cultural, no cesário o regime era quase militar. conferiam meias brancas e nossas unhas. no bueno, os meninos chamavam as meninas de ‘gata’. foi quase traumático.


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