Maio 16, 2008...1:08 am

GPS, quae sera tamen

Ir aos comentários

The russian job

Do exibicionismo ZN de Dmitry

Tive que esperar 18 anos para voltar a ver mísseis desfilando na Avenida Afonso Pena, em Moscou.

Agora, graças ao novo czar ídolo-de-Nini, terei de volta esse velho e reprimido prazer.  

Os intelectuais freudianos de merda dizem que míssil é compensação fálica de general broxa. Igual aqueles rapazes que moram longe e põem som alto no carro. Conversa de perdedor! 

Mas, apesar de lindos mísseis, acho que Dmitry não devia alisá-los. Nem exibi-los nas manhãs de domingo. Sob pena de gerar comentários. 

*

(De agora em diante ilustraremos teses difamantes com t-shirts conceituais)

* * *

Textos quase deletados - Parte 1 ]

  

Indulto ou insulto?

Deu no Minas Gerais, em meados de abril:

O condenado Carlos Barbosa é o primeiro preso mineiro a ser monitorado com uso de tornozeleira eletrônica. Ontem, (…), ele concordou com as exigências legais para o cumprimento do restante de sua sentença em domicílio e saiu do local com o equipamento instalado.
(…)
A fase de testes do projeto de monitoramento remoto de presos em Minas Gerais servirá para as análises sobre como o sistema poderá ser implantado, um estudo que envolve a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), Ministério Público, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça.
De acordo com o secretário de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, presente à audiência, o esforço conjunto desses órgãos tem o objetivo principal de melhorar as condições de reinserção social dos presos, já que, com o sistema, eles podem voltar ao convívio familiar.
Ele ressaltou que a progressão de penas é prevista na legislação e que o monitoramento remoto de presos é mais um mecanismo agregado à fiscalização do cumprimento da sentença judicial.
Outras vantagens, conforme ressaltou o secretário, são maior facilidade para a fiscalização do cumprimento da pena, abertura imediata de vagas no sistema prisional e redução de gastos. Em média, o monitoramento remoto de presos deverá custar R$ 600 por mês, enquanto um detento em penitenciária tem custo aproximado mensal de R$ 1.800.
(…)
O secretário destacou que são amplas as possibilidades de uso do sistema, para condenados e presos provisórios. Ele estimou que, apenas na região metropolitana de Belo Horizonte, aproximadamente 2.500 presos teriam potencial para o monitoramento remoto. Após a definição do sistema a ser adotado, será aberta licitação para a compra de equipamentos.

*

Eu vi que tinha algo errado com essa boa-nova, mas não conseguia sacar o quê.

Demorei um tempo para entender, porque eu tenho lido muita notícia da Reuters e estou ficando débil-mental.

Procurei respostas no ”Absolom”, mas não era por aí — embora a tornozeleira lembre muito a coleira do filme.

Hoje, na CBN, um sujeito matou a charada.

Essa bugiganga é inconstitucional, porra!

Um preso brasileiro não pode circular por aí com um gadget que acuse sua condição de prisioneiro. É degradante e, embora angarie aplausos caipiras, temos acordinhos internacionais a honrar.

Não pode usar tornozeleira com GPS pelo mesmo motivo que não pode trocar 1 ano de cadeia por uma tatuagem na testa escrito “ladrão”. Ou dez chibatadas na Praça 7.

Mesmo que 80% do povo assim o queira. A Constituição está acima dos quereres do povo.

Essa mesma tornozeleira já foi testada em outros países, sem muito sucesso pelo que disseram. 

Pois, como dizem os bons advogados, não se faz justiça social com código penal.

Mas o Secretário de Defesa Social não é bem um advogado: é um político.

E os usuários de tornozeleiras com GPS são (adivinhe): pretos e pobres. 

* * *

Textos quase deletados - Parte 2 ]

Ninguém lê a caraia da coluna do Nelson de Sá na Folha. Pois ele esculachou, num desses dias de abril (que possivelmente foi o mesmo dali de cima): 

UM QUEPE
O “Jornal Nacional” voltou aos velhos tempos e destacou discurso de general no Clube Militar, com ministro do regime militar na platéia, contra uma decisão de governo eleito. No dizer do site Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha, é que o jornal “não resiste a um quepe”. O jornalista teme “crise militar em gestação”.

CHAMADO MASSACRE
O mesmo “JN”, ontem no aniversário de Eldorado do Carajás, tratou o episódio como “o chamado massacre”.
Já na manchete da Reuters Brasil, o MST ampliou ações no “aniversário do massacre de Eldorado do Carajás”. E logo abaixo, “Aumenta a concentração de terra na América Latina, diz a FAO”, da ONU.

 

*

Uma alma insensata…

…digitou no Google “concurso de mamilos mais assutadores” e caiu num antigo post deste blog.

Mas não me lembro de ter postado mamilos assustadores.

 

8 Comentários

  • Foi divulgado há uns anos atrás que boa parte dos mísseis que desfilavam pela Praça Vermelha nos tempos em que ela ainda era Vermelha eram de mentirinha. Uma carcaça oca na traseira de um caminhão. Uma empulhação, como todo o resto.

    O “chamado massacre” faz lembrar as eleições de 94, quando o Cid Moreira disse no JN que o Rubens Ricupero “teria dito” que “o que é ruim a gente esconde, o que é bom a gente fatura” – quando as parabólicas já haviam flagrado a frase.

    Quanto às tornozeleiras, cuidado ao sair mencionando a Constituição por aí, ou vão te chamar de defensor de bandido e assassino de Isabella.

    N.E.: O Estado de Direito é um entrave para o desenvolvimento da barbaridade.

  • Isabella. Suicidou.

    Repare no sorriso de satisfação do sujeito bem no centro da foto, com cara de quem precisa daquela foto pra alguma promoção.
    Rumo ao Ludovico brasileiro!

    N.E.: Guglei o Ludovico, mas não saquei.

  • Usa-se isso aqui no Reino Unido. No Reino Unido não se mata, esquarteja e queima. No Reino Unido a polícia não faz limpeza social. No Reino Unido a tornozeleira não é incostitucional.

  • “No Reino Unido não se mata, esquarteja e queima. ”

    Dito. A tradição por lá é mandar assassinos, esquartejadores e queimadores para Índia, África, Iraque…

    N.E.: “Onde vai um inglês, vai a Inglaterra.” Não era esse o lema?

  • Que laudos baseados na foto o extinto fisionomista lavraria do refém (parecidíssimo com Romário em tempos de golos) e do dedicado vendektor de coleira?

    N.E.: Isso porque vc não viu a outra foto do book, com Carlos ainda mais cabisbaixo e os presentes às gargalhadas.

  • A pior pena para um prisioneiro seria ficar ligando para serviço de atendimento ao consumidor de empresas de telefonia móvel, serviço de internet e tv a cabo… Ah, queria ver!!!

    N.E.: Essa pena cabe a outro tipo de prisioneiros. :)

  • pra que direitos quando se tem aécio?

    N.E.: O constitucional para os ricos, o penal para os pobres.

  • Leonardo Coelho

    Por coleira é melhor do que matar escondido e jogar no rio…


Deixe uma resposta