Em fins de 2007 publiquei um post rememorando os filmes que eu tinha visto ao longo do ano, cometendo as omissões e heresias de praxe.
Não investi muito em cinema em 2008. Nem tempo, nem dinheiro. E investirei menos ainda em 2009. Porque cinema virou conversa de cumadre. Doravante verei filmes escondido e não os comentarei senão por meio de códigos e criptogramas.
Nós viramos o Homem-catraca do Laerte, e como tais haveremos de ser tratados.
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Ter investido pouco em cinema não me impediu de ter sempre tem um filmeco orbitando minhas conversas. Já chegamos ao nível de discutir cinema com semi-desconhecidos e recém-conhecidos. Cinema é a nova frivolidade. O que por um lado é bom: ele atingiu o nível do futebol e da megassena em nosso imaginário sem imaginação.
Osanas!
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Cinema, esse de moldes industriais, desistiu completamente da tarefa de ajudar o público a compreender e modificar o mundo em que vive. Um) porque o próprio público já desistira disso e dois) porque grana é o que importa e “arte” é para quarentões aviadados e universitários quetais. Andaram culpando, entroutros, uma tal “doutrina Bush”. Se for só isso mesmo, que bom.
Veremos o que a doutrina Obama nos reserva a partir do dia 20.
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Os tróis onanistas do imdb elegeram Cavaleiro das Trevas o melhor filme de todos os tempos. Adianta discutir? Os bravos e destemidos que se apresentem para essa bocejante batalha.
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O melhor filme do ano é Control, de Anton Corbijn. Por razões pessoais e instrasferíveis. Pormenorizações, a quem interessar, encontram-se nesse não muito antigo post.
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A decepção do ano é Wall-e. Ventilava-se o épico definitivo da Pixar, mas o roteiro é estrume. Opta pelo infantilismo pastelão, mas só agradou mesmo a adolescentes tardios — em dia de bom humor. Crianças mesmo acharam meio chato — são bobas, mas nem tanto.
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Esse ano tivemos dois Coen, e arrumei tempo para os dois. Onde os Fracos não têm vez, Oscars e Oscars, preciso rever, porque a jogada foi demais para mim. Já Queime depois de ler é redondo e engraçado para quem se propõe a rir — sem rolar de. Melhor, melhor. Um filme americano que riculariza os mórmons e a CIA tem o meu respeito.
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A Globo escondeu Procurando Nemo por uns 3 anos, mas resolveu liberá-lo esses dias. Gracioso, com as ressalvas típicas. Mas por acaso muito mais bem-resolvido que o robô ali. Filmes como Nemo fazem bem à alma, e a alma tem prioridade.
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Areias Escaldantes, a melhor trilha sonora do cinema nacional, vi no Canal Brasil. Tresloucado, mas nunca desagradável. Eu tenho paciência anormal com o cinema nacional. Culpem os nus frontais.
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Vicky Cristina Barcelona tem sido alvo de infâmias vãs. As minhas também são vãs, mas jamais alvejarão um filme de Woody. Pois até o ridículo tem limite. Que faltou na educação desses bem-nutridos meninos e meninas que desdenham o gênio?
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Notícias de uma guerra particular, também na TV, é aterrador. Tudo vira conversa fiada depois dele. O ambíguo Tropa de Elite, fenomenal por agradar a reaças ricos e pé-rapados (o que nem é tão difícil, a confirmá-lo S.Stallone), é gofo de neném, é filme de janota perto desse documentário de Kátia e João.
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A Noite, de Antonioni. Fundamental. Não para quem ama cinema, mas para quem ama.
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Acossado, de Godard. Bacana, mas datado. Deve ter sido o Pulp Fiction de 1960. Gostamos da gravata de Poiccard. Mas ela está meio datada também. Nomais tudo passa, só La Seine é eterno — em nossos corações.
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Antes do Pôr-do-Sol é aquela falação sem fim. E ninguém come ninguém. Péssimo exemplo para todos e todas.
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Monika e o Desejo é um Bergman obscuro, mas tem uma verdade dolorosa — sempre cara a Ingmar.
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O Código da Vinci revi na Globo anteontem. Morde-assopra. Levanta a maior polêmica de todos os tempos e a neutraliza em sequência. O personagem de Ian McKellen, culto, sedutor e contundente, será vilanizado somente para que ninguém na platéia o tome por guru. William Bonner é o editor-chefe do filme? Contudo boas cenas, bom elenco, bons diálogos. Além de Londres e Paris, que não fazem mal a ninguém.
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Eu Tu Eles, no Canal Brasil, pensei ser uma comédia romântica a “estetizar miséria nordestina” (um novo clichê crítico; saudações). Mas é sobre política e entendimento, com a vantagem de não recorrer a sangues, neuroses e fadigas. Não é pouco.
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O Poderoso Chefão, partes 1 e 2 no DVD, é a razão de ser do cinema. Coppola é um demônio sobre a Terra. Hoje é um demônio meio cansado, fingindo que fuma aquele charuto, mas ainda demônio. Parte 3, 1990, cada um diz o que quer. Estão todos certos. Parece haver um consenso de que o Al Pacino jovem é melhor. Mas quem não parece melhor quando jovem? Ah, minha contribuição para o pacote: Sofia Coppola é feia, mas tem sex appeal. E aprendeu a fazer um bom gnocchi.
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Felicidade, de Todd Solonz, no DVD. Nervoso. E obviamente infelicidade. Bem-vinda à Casa de Bonecas, do mesmo Todd, é mais e melhor.
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Eraserhead, no DVD. Terror chapliniano. Ou Chaplin jogado num universo sem humor. Feio, mas bonito. Lynch pondo as manguinhas de fora em 1977. Ano grandioso para a história da humanidade.
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No mais, omissões.
Prometo muitas outras em 2009.
E desejo a ti o que desejo para mim: conflito armado (é uma metáfora; seja gentil e guarde-a em local seguro, a salvo de crianças).
Pois 2009 é o ano da guerra; escolha a sua.
4 Comentários
Janeiro 3, 2009 às 1:32 am
Bem, não vou dizer muitas palavras, pois as mesmas seriam ridicularizadas pelo Sr. HMilen, de qualquer forma…
1º Não aguento mais a menção que este blog faz ao filme Control… O mundo não é dividido em Sex Pistols, Sex Pistols e Sex Pistols!!!
2º Wall-e é mais que o roteiro. É o único filme em que o personagem principal não consegue pronunciar mais que uma sílaba…
3º Após a neve cair sobre as fotos, agora ela cai sobre TODO o blog… Bota brega nisso!
ns.e:
1º Jamais mencionamos Sex Pistols.
2º Antes dele, Os Filhos do Silêncio. E muito antes, Carlitos.
3º E também segue o cursor do mouse. Aproveitem.
Janeiro 3, 2009 às 10:49 pm
aí, oh. dois já reclamaram da neve e já passou o natal. chega, né? [aliás, joão paulo, a neve já se prolongava por todo o blog desde antes]
o melhor deste post é o comentário da srta. no post do pantanal. bárbaro.
n.e.: Barbaridades.
Janeiro 4, 2009 às 2:18 pm
Esse post me fez ter vontade de ser mais espontânea em 2009, tipo por volta de 10 da noite lá no Pelicano! Cinema é meu ponto fraco e criticar Before Sunrise foi mais do que aguento!
n.e.: isso sempre funciona.
Janeiro 4, 2009 às 2:19 pm
p.s.:
Concordo sobre a neve. E depois o cara ainda se acha no direito de chamar os outro de bicha, viado e mulherzinha…
n.e.: isso, ~carol~, ataque com fúria. Chega de etiqueta.