Janeiro 9, 2009...2:44 am

Balada dos enforcados – Vol. 1

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Cartão de crédulo me oferece revista de muié despelada por 50% de desconto. Acho bom. Muié despelada nunca é demais.

Todo homem tem seu preço. O meu é 50% de desconto.

Ninguém me crê, mas realmente não babo nessas ninfetas com pose de neodaliscas (como babáramos outrora).  Eu sou da escola Lúcia Veríssimo, 1987, mulherão cheio de enigmas. Esses púbis de hoje em dia tão meio ralos e superficiais, ousadia comportada; caretas, enfim. 

Mas ainda é divertido ver um cara como J.R. Duran se contorcendo para emular alguma sofisticação numa analfa recém-parida do Big Brother ou do subúrbio carioca. O bocejo de Duran nas sessões de fotos deve ser o mesmo quando recebe o checão de cinco dígitos. Vida chata.

Essas coelhas tão meio barangas, essa é a verdade. Perderam a aura subversiva, viraram picanha. E picanha tem que ter dois dedo de gordura, e essas aí são duras, sem suculência e sem borogodó.     

Sinto falta da nudez num contexto político-filosófico. Tipo uma mulher pelada num frigorífico. “Carnes em exposição”. Ou qualquer coisa que não seja uma odalisca bidimensional servindo a esse chauvinismo de  escritório.

Pornografia existencialista. Peço demais, sei.

* * *

Vendo uns pedaços de Maysa – Quando fala o coração. Que subtítulo cretino… Mas tudo bem, ”pessoal do marketing” sabe o que faz. Do contrário não ganharia tão bem.

O “olhar” de Maysa no logotipo remete aos clip-arts que os salões de beleza do Centro usam naquelas placas. Mas tudo bem, o “pessoal do marketing”…

A atriz é boa. Botaria tudo a perder se não fosse. Ela criou uma persona sensual e instável, como parece ter sido a Maysa real. É gostosa, femme fatale. Maysa o foi realmente?

Os diálogos de Manoel, como sempre, entre o natural e o boçal. Mas Manoel, pelo menos, é leal ao que ama e como autor impõe suas preferências. Não é pouco.  

A montagem, mesclando cenas e recortes de época, leva o melodrama a um outro patamar — documental? Ficou bom. É de TV que se fala, terra desolada.    

Jayme sai com moral da jogada. Merece.

* * *

Carpinejar, poeta crônico, propõe chorar em filmes babacas e dormir em filmes sérios (num dos textos do livro O amor esquece de começar).

É uma.

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