
Chega de papo-cabeça nesse blog.
É verão. Vamos falar de celebridades, para que muiés voltem a comentar.
Sebastião Nunes, por exemplo.
Seu poema “As Rampas do Palácio”, reproduzido (porcamente) acima, trata a política como o que ela nos parece ser: pornografia.
Foi censurado (quando havia censura em Minas).
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O jornal O Globo definiu nosso homem recentemente (17/1/2009) como “talvez o melhor escritor brasileiro do qual você nunca ouviu falar.”
Obviamente o jornal se referia a seu ignorante leitor carioca. Em seu torrão natal, Bastião Nu é uma celebridade e mal pode circular pelas ruas do Centrão. Populares ávidos por um autógrafo do autor de História do Brasil e Decálogo da Classe Média causam tumulto e avacalham o trânsito.
Não podendo frequentar Shopping Oyapoc e imediações, Sabião Bestunes vive então recluso em Sabará, onde lhe chegam água, laticínios, protetor solar e xampu.

Nosso poeta bocaiuvense foi e é admirado por gente como Drummond, Antonio Candido, Silviano Santiago e Flora Sussekind. E por qualquer um que um dia tenha tentado cravar uma frase com profundidade e humor.
Porque Tião (ó a intimidade) é um samurai do nível de Millôr.
Millôr que se “recusa” a falar do colega Tião, como quem se recusa a falar de si mesmo. (não é humildade; é auto-preservação, seus laicos!)
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O grande livro de Sebastunes Nião eu suponho seja Somos Todos Assassinos, o doentio livro de 1980.
Um pato chacoalhando moedas presas nas penas do rabo. Um garboso dobermann babão que, com lambidas inconvenientes e incondicionais, salva o dono suicida.
Jamais esqueceremos tais imagens.
E se uma sátira adulta deprime a juventude, azar.
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Tipógrafo, fotógrafo, contista, artefinalista, redator de publicidade, jornalista, pintor. Escritor, desenhista, diagramador.
Como não se identificar com esse Tião diabólico?
Ao (bom) caderno Prosa & Verso, daquele O Globo, ele disse, à luz dos seus 70 anos:
– Quando tive de ganhar a vida, tinha duas opções: jornalismo ou publicidade. Mas jornal exige muito, trabalho diário, é pauleira o tempo todo. Publicidade, não. Você pede 15 dias fazer uma campanha, enrola 12 e faz nos 3 últimos dias. E se não fizer, sempre pode pedir mais prazo. Mas é uma profissão absolutamente idiota, em que você é obrigado a vender produtos inúteis ou idéias sem grandeza. Aliás, quase sempre os próprios publicitários são idiotas completos.
Sobre o livro Decálogo da Classe Média, recém-relançado, disse:
– A classe média é a típica empata-foda, que está no meio de tudo para atrapalhar tudo, com seu egoísmo imenso, sua absoluta insignificância existencial, seu consumismo sem limites, sua idiotia e sua paranoia.
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Ler Sebunes Nastião (um de seus muitos anagramas auto-avacalhativos) é ir no cerne de incômodas verdades sobre essa nossa “realidade de merda” — no dizer de Darcy Ribeiro, otimista célebre.
É deparar com o espelho que nos revela camundongos, a foto que nos flagra borrão. Mas tudo com humor sacana, devastador ou, se um adjetivo tiver de ser escolhido: genial.
Verdades incômodas, algumas amargas demais para bons corações, outras inúteis demais para certos espíritos.
Mas verdades.

7 Comentários
Janeiro 22, 2009 às 5:54 pm
É o escárnio da vida.
O pus social.
O lixo aristocrata.
Hematoma intelectual.
n.e.: Nota-se influências imediatas.
Janeiro 22, 2009 às 7:34 pm
Odeio conhecer gente melhor que eu.
n.e.: “semear o ódio” é o item 3 de nosso estatuto.
Janeiro 22, 2009 às 9:53 pm
Ao morto, lhufas mesmo!
Hoje abri meu blog e havia um sincero elogio de Abel de Carvalho Filho.
Diga-lo que agradeco deveras e que tambem gostei deste espaco, citado por ele.
Passe la tambem prum cafezim.
Abracos!
n.e.: Estrovenga.
Janeiro 22, 2009 às 10:20 pm
O blog do Nei é A Estrovenga dos Corsários Efêmeros (http://corsarios-efemeros.blogspot.com/), linkado no Manual do Minotauro, do Laerte, por sua vez linkado aqui no Bo-Bos.
Janeiro 24, 2009 às 10:21 pm
Só falta o prêmio Nobel de literatura pro rapá…
Ah! mais agora lembrei que no Brasísíl não tem essas coisas xí!
Bom blog rapaz!
– e sem rasgação de seda tá!
n.e.: sem rasgo nem engasgo.
Fevereiro 2, 2009 às 7:00 pm
Há algo entre os morcegos e o teto das cavernas
n.e.: Sim, chama-se imaginação.
Fevereiro 5, 2009 às 12:13 am
comprei o somos todos assassinos lá pelo segundo ou terceiro período da faculdade.
digo que foi bem difícil.
bem.
n.e.: Somos todos relutantes.