[ resumo pictográfico da estação ]
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Momentos decisivos no Brunswick. Éramos três às três da tarde.
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Era domingo. Ver uma cadela tomando sol na manhã de Tiradentes é melhor do que ir embora sem ver nenhuma.
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Era terça-feira. Convencemos os guardiães da paisagem que não éramos suicidas. Então pudemos contemplar Centrão de uma janela do Acaiaca.
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El Che vai ao shopping. Entre action figures de mangás, cartoons e marvels, nota-se oblíquo e dissimulado Ernesto Che Guevara à direita de Pepe Legal. Sendo a imagem do comandante desprotegida (até o momento) por copyrights internacionais, seu boneco é ironicamente o único da vitrine em situação regular.
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Todo dia o flamboyant faz tudo sempre igual. E colore o asfalto às seis da manhã. Eventualmente desequilibrando algum pedestre distraído, de bunda a cair e joelhos a ralar. Nem por isso seremos favoráveis à varrição das flores. Quem varre flor é neocon.
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Um garoto-propaganda perfeito. Jim Davis não viveu em vão.
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Especulação às 17h36. À direita, prédio alto, com vista para os quatro lados do Centrão. Eu quis alugar aquele puxadinho ali em cima. O pobrema é que não decidi praquê.
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Era sábado à noite. O televisor Disney 14″ rosa-choque reprisava A Favoirrc na loja de brinquedos no Diamond Mall. Um vendedor apareceu com uma teoria ZN sobre heróis e vilões. Ouvi. Eu gosto de um mundo com revólveres e lições de moral. Crendo-me alheio a neuroses glôbicas, comprei matchboxes para o filho do Anão. Matchboxes made in China são mais sofisticados que qualquer cultura popular made in Jacarepaguá.
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A persa de Lalá é calma. Mas se mexe demais para uma modelo. Ou o suficiente para jamais ser bem fotografada por um celular com tempo de resposta de 5 segundos. Se eu tivesse um gato, o nome de dele seria, claro, Peixuxa (o amigo dos peixes), independente do sexo. Vanessa reprova o nome, mesmo depois de introduzida à intrigante canção de Raul.
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Toda vila é velha. Estivemos no litoral no início dos trabalhos de 2009. Eu já morri no mar uma vez, e ali fui salvo por um anjo uma vez. O mar me esculacha. “Você é um cético de araque, com sua dissimulação racional patética”, me diz toda vez. Eu me calo. Só discuto com quem é do meu tamanho.
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Era janeiro. Estivemos também em Tangará, abrindo informalmente a agenda do Ano da França no Brasil. Cachoeira, água na cacunda, não deixa de ser uma lição de humildade. Mas só aprende quem já sabe.
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A aurora virá. Interferência anarquista bombástica causou furor na esquina de Goitacazes com Espírito Santo.
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Era Natal. Esculacho rotineiro em adolescentes mulatos suspeitos de furto na Savassi. Estavam “limpos”. “Desculpaí, mas sabe como é…”, disse o sargento, depois da revista. Área limpa, uma boa alma consola os rapazes: “Eles não podem fazer isso não”. Consolo inútil. A lágrima da humilhação já tinha caído.
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Havia um mico no meio da Savassi. E o flanelinha do quarteirão esfregou as mãos, decerto imaginando formas de engaiolalo, vendêlo, comêlo, vilipendialo, extorquilo, exterminalo. A vida é dura para os primatas.
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Um verão que se preze começa com vermelhos em profusão. Aceitaremos o verde na condição de coadjuvante. No Oscar chamam isso de leading role. Deiavm, mesmo não apoiando, ainda assim ilustrará a tese.
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Tendemos a admitir essa vitrine em Lourdes como a mais sensacional da cidade, por mostrar escondendo e esconder mostrando — princípio da sensualidade. Teremos problemas, contudo, para parcelar o vestidinho no Visa, caso seja o caso. Ou não, dependendo do espírito. Todo vestido é subversivo, colírio antineurose e antimonotonia, donde nosso apoio político — sincero e antecipado.
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Pô. Mudaram a placa do Lua Nova, no 2º andar do Maleta. Já não se respeita nem a própria decadência! Setentistas ofendidos prometem revidar à baixura: passarão essa semana no Xoq-Xoq, no primeiro andar.
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Imagine um terror para sua vida. Neném trocado na maternidade. Sequestro-relâmpago na noite de sábado. Arrastão no sítio. Pedra nos rins. Avião caindo na floresta. Palmito com botulismo. Ossinho de peixe preso na goela. Vamos lá. Eu te digo que nenhum terror é pior do que esse aí da foto: retrato infantil à espera dos lixeiros no Centrão. É uma sentença contrária a toda fé, todos os valores, todos os esforços. Se o lixo é o lugar da memória, findo o carnaval, então os niilistas estavam certos. Depois da morte, a morte.
15 Comentários
Fevereiro 26, 2009 às 1:23 pm
Retire o aparato fotográfico de HMilen e o que sobra?!
E esse mico está mais para o esquilo dramático: http://www.youtube.com/watch?v=y8Kyi0WNg40
n.e.: dado o 1,3MP do celular, uma pergunta menos desonesta seria: “dê um aparato fotográfico a HMilen e o que teremos?“
Fevereiro 26, 2009 às 7:35 pm
Bravo!
n.e.: Grato!
Fevereiro 27, 2009 às 4:41 pm
O copiraite complica a eternidade do artista. Gatos inventaram humanos para tirar peixe da água. A pastilha do amigo do estado está sujando a parte detrás do cartazete. O fotógrafo é bom de composição ou a cena se compõe para o bom fotógrafo?
Fevereiro 27, 2009 às 5:04 pm
Ah, passa as receita do trem vermelho e do trem verde dos copo.
n.e.: no verde tem hortelã. No vermelho tem gelo. O resto é mistério.
Fevereiro 28, 2009 às 1:37 am
Adolescente mulato com camisa (pirata) do Milan e bermudão xadrez está pedindo pra tomar “baculejo”.
O pior das fotos das criancinhas é que é possível que os próprios fotografados sejam os responsáveis pelo descarte. E no lugar dos retratos dos bebezinhos na parede vão colocar um pôster do NXZero ou Charlie Brown Jr. pra mostrar que não são mais crianças…
n.e.: Só em Valadares alguém jogaria fora seu próprio retrato de criança.
Março 1, 2009 às 9:02 pm
peixuxa é uma música (e nome!) massa.
um conhecido tinha um gato (macho) que chamava Gorete.
Março 3, 2009 às 2:24 am
Seria Ana Vizeu a Henrica Mila?!
n.e.: esses noctívagos….
Março 3, 2009 às 7:44 pm
Comentando sobre o Twitter. Não é rádio online, é stream mp3, mas normalmente funciona: http://www.mkzdk.org/framelounge.html (cricá em Music Toys/Groove Salad Stream)
Março 4, 2009 às 4:03 am
confesso que se soubesse teria visitado antes o post.
o melhor de 2009. supere-se agora.
[tô lendo um livro sobre um iogue que tenho q entrevistar. copiei dele a idéia de 'máximas-rasteira'. isso é interessante: é um elogio desonesto quase]
n.e.: Esse negócio de se superar deixa a gente muito superado.
Março 4, 2009 às 3:58 pm
Eu tenho umas fotos do alto do AcaiacA que são ainda melhores do que essas suas!
Tem certeza de que essa foto de vitrine foi tirada em Lourdes e não no Bairro-da-Luz-Vermelha?
n.e.: você superestima Lourdes.
Março 20, 2009 às 8:56 pm
o mico conseguiu escapar?
n.e.: Aposto que não.
Março 30, 2009 às 12:14 pm
Atualiza aê, carai!
Abril 1, 2009 às 2:28 am
ainda está difícil acreditar no tal mico na savassi. Aposto que confundiu o ônibus que passava pro Parque das Mangabeiras
Abril 1, 2009 às 12:26 pm
Uérariú, HM?
Abril 5, 2009 às 6:50 pm
agazinho, juntar-me-ei às pessoas que clamam por tua volta, já que, ao que tudo indica, esse teu sumiço não passa de chantagem.
pense nas milhares de criancinhas aflitas com teu desaparecimento.
e nas velhinhas que estão a se sentir sem companhia.