Mamma, Ooo Ooo Ooo Ooo Ooh

(…)

A procura do cadáver em high definition.

Diz que o delega farejou a carniça; mandou descer a marreta na parede do barraco: era um esgotão estourado. Equipes reportoides a tudo registravam.

CSI Lagoinha, vida e obra.

Cada birosca tem o Horatio “H” Crane que merece.

(…)

(uns excertos perdidos de 2009; seja gentil e finja interesse)

…por mais que efetivamente merecessem a morte, não cultivaria ódio aos hipsters (como fazem aqueles favelados novaiorquinos). Hoje em dia, a única maneira de escapar do hipsterismo seria por meio de um suicídio. E mesmo o suicida seria também um hipster, à medida que se apropria duma essência suicida que não lhe pertence realmente — só pra dizer por aí que tem (tinha) alguma personalidade. Um vácuo d´’alma pra chamar de seu.

Isso é tão segunda metade do século XX!

(observe como que aqui se sampleia a wikipedia — e nenhum homossexual percebe. Barbárie agora é paz de espírito)

(quem tem um poodle não tem paz de espírito)

Eu devia ter escrito isso em 2006. Mas naquele ano eu me via imerso em panaceias corporativas (carreira, meritocracia, renúncia à vida social, materialismo rude etc) que imobilizavam minha perversidade criativa. Tal como a situação atual duns amigos seus.

*

“Comida com cabelo, só se for mulher”, disse o bardo depois do almoço, naturalmente se esquivando de torresmos centrais.

(…)

Aos 6 anos de idade, Homer Jay Simpson enfiou no nariz um giz de cera que, depois de um espirro, alojou-se acidentalmente no seu cérebro. Isso comprometeu seu raciocínio lógico-matemático. Ao remover o giz de cera, já com 36 anos, Homer se revela um intelecto sagaz e crítico. Observa e relata negligências de segurança em sua empresa, que é fechada e demite todos os empregados. Percebe-se um consumidor de lixo industrial. A programação da TV lhe dá náuseas. A cultura decadente ocidental se torna uma questão central em sua vida.  O espírito crítico faz dele um chato. Amigos se afastam. Rumo à solidão e desespero absolutos, decide reenfiar o giz de cera no cérebro — com o legítimo intuito de voltar a sorrir. ["HOMR" (season 12, 2001) ]

* * *

Mandei um vídeo de gatinho fofo para Carol (uma espécie  de guerrilha pós-ideológica). Ela me devolveu Muppets cantando Bohemian Rapsody.

É o Velho Testamento, ora praticado e disfarçado por linguagens binárias.

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Num bar sem alma cunhei a expressão “regressive aggressive”. O muso que me inspirava mal percebeu. (dezembro de 2009)

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E la notte era chiara. (janeiro de 2010)

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Será um longo fim de semana. (março de 2010)

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Ei, você aí, que vive por aí repetindo a mesma joça de pergunta quando me acha por aí: Não, um blog não acaba.

Não acaba porque nunca foi. Era naturalmente o livro que se escrevia enquanto era lido, com remissões, capítulos finais, bônus tracks e coisas mais. A crônica da alma inquieta num tempo estagnado numa zona burguesa duma cidade periférica (ufa!). A narrativa de transição, das últimas infâncias para as primeiras velhices, queimando etapas e levando tapas. Quem leu, sabe deu.

(observe também a antecipação ao trabalho dos críticos, pra mor de conter o desastre bíblico das metáforas malentendidas e das metonímias desperdiçadas)

Reeditarei e rediagramarei o material crendo facilitar consultas nostálgicas, provas de crimes delicados, bem como embalar o sono dos judas.

O nome da coisa, caso venha a existir dessa forma pós-editada, será um nome que capte o espírito da coisa. Isso tenho cá como garantir — porque de invencionice eu entendo, de subliteratura eu entendo, de farsa eu entendo.

Alguma coisa fizemos da vida.

com pudor,

h m

3 Comentários

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3 respostas para Mamma, Ooo Ooo Ooo Ooo Ooh

  1. Duílio Gomes

    Que bem um nariz de cera pode fazer à humanidade! E eu, que nunca imaginei a possibilidade dessa hipótese…

  2. João Paulo

    HMilen em seu afã de encontrar uma resposta para as idiossincrasias do mundo contemporâneo, quer a todo custo enfiar um giz de cera em nosso nariz.

    “O homem que pretende ser sempre coerente no seu pensamento e nas suas decisões morais ou é uma múmia ambulante ou, se não conseguiu sufocar toda a sua vitalidade, um mono maníaco fanático”
    Aldous Huxley